Há vida no C2TN em tempos de pandemia II

segunda-feira, junho 08, 2020

Porque a vida continua sempre, no “Há vida no C2TN”, continuamos a publicar alguns testemunhos sobre a experiência de trabalho remoto, vivida pelos membros do C2TN, em tempos de pandemia.
Hoje deixamos o segundo testemunho...


Que avaliação faz da sua adaptação ao regime de teletrabalho? Quais foram os principais desafios desta mudança? Que oportunidades trouxe esta alteração? Que impacto teve na sua produtividade?
Começo por dizer que é impossível replicar à distância o que se faz num laboratório. No C2TN, a minha atividade divide-se em 2 áreas, a Laboratorial e a Administrativa. O regime de teletrabalho aplicado no contexto do laboratório foi impossível, pelo que durante o confinamento tive de me deslocar várias vezes ao laboratório para executar tarefas de manutenção indispensáveis, até para a retoma posterior das atividades do grupo. Na área administrativa a adaptação foi mais fácil porque as ferramentas normalmente usadas já são essencialmente o computador e o uso de plataformas digitais. No entanto, mesmo esta avenida de trabalho se esgotou pois a conjuntura económica que o país começou a atravessar levou a que ficassem suspensas as aquisições relacionadas com a investigação. Apesar de tudo, considero que o maior desafio com que tive de lidar foi mesmo a nível pessoal, com a ansiedade e preocupação que a pandemia gerou. Mas alterei o foco do negativo para um mais positivo, mais centrado na melhoria e superação individual, e, aproveitando a “prata da casa”, inscrevi-me nos cursos MOOC Técnico -Transformação digital. Sou ainda presença assídua nas palestras do Técnico+ Expert talks de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, moderadas por Professores do Instituto Superior Técnico.

A pandemia evidenciou a existência de ferramentas de trabalho à distância, que talvez pudessem ser usadas regularmente em circunstâncias “normais”. Prevê no futuro continuar a usar algumas dessas ferramentas? Pretende adoptar sempre que possível o regime de teletrabalho?
Estamos em plena Revolução digital e todos devemos tirar partido das novas tecnologias. Nos últimos anos já se conseguiu transformar digitalmente muitos serviços, embora não saiba se um software (robot) me poderá alguma vez substituir por conseguir fazer melhor o que faço e, de preferência, com menos custos. Se tiver de alterar a minha forma de trabalhar penso que facilmente me posso adaptar, mas, como já referi, o regime de teletrabalho nunca será completamente compatível com a vertente laboratorial.

Como antevê o regresso ao trabalho presencial? Sente-se seguro? Sentiu-se apoiado, informado pela sua instituição? Como avaliaria a interação do Técnico e do C2TN, em particular, com os seus membros?
Regressei ao CTN no princípio do mês de maio para reforçar a equipa do C2TN envolvida na realização de testes para o diagnóstico laboratorial de COVID-19. Pela complexidade do trabalho, adotei todos os cuidados, quer na utilização de equipamento de proteção específico quer no cumprimento do distanciamento social. A situação atual é inédita e por isso é normal que perante o desconhecido me sinta insegura, mas, ao mesmo tempo, confiante de que vamos todos ficar bem. Mesmo antes de a doença COVID-19 ser declarada uma pandemia, já a direção do IST enviava comunicados regulares e iniciou de imediato a elaboração de um Plano de Contingência relativo ao COVID-19. Foi seguindo sempre de perto as recomendações da direção geral de saúde e, quando foi necessário, atuou no tempo certo.

A pandemia veio mostrar que é possível, até por vontade política, a mobilização para uma alteração global de comportamentos. Considera que existe aqui uma oportunidade para pensar em como se pode efetivamente implementar políticas, por exemplo, em relação às mudanças climáticas e boas práticas para um futuro sustentável?
Com o mundo em confinamento todos tivemos muito tempo para refletir!! Esta pandemia veio evidenciar a grande dependência da China e podemos todos tirar dela uma lição. É urgente que as entidades governamentais revejam as cadeias de produção industrial e que coloquem os negócios em áreas mais estratégicas de forma a sermos soberanos e independentes. E isso é possível; ora veja-se como em resposta à pandemia várias indústrias adaptaram as suas linhas de produção, e como foi também notório o ativismo científico e académico dos investigadores portugueses no combate à pandemia. Precisamos de mudar o nosso comportamento, começando por mudar os hábitos de consumo excessivo, apostando num consumo mais sustentável. Por exemplo, as plataformas Zoom e Skype poderão ser uma alternativa às viagens de negócios, e a implementação do trabalho remoto também. Estas e outras medidas levarão a uma redução significativa de tráfego aéreo e terrestre e por consequência seria uma boa prática para um futuro mais sustentável. Acredito que o mundo vai mudar.

Elisabete Correia, técnica de laboratório no C2TN


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