Venha Conhecer as Investigadoras do C2TN - Ana Fernandes

sábado, março 31, 2018


A pretexto do Dia Internacional da Mulher, que se comemora a 8 de Março, o C2TN celebra as suas mulheres cientistas que se afirmam e destacam pela excelência do seu trabalho e pelo impacto do mesmo. Ao longo deste mês publicámos o perfil de 6 investigadoras do C2TN. Hoje encerramos esta série com a nossa última investigadora, Ana Fernandes.




Ana Fernandes licenciou-se em Engenharia Física Tecnológica em 1997 pelo Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, e, em 2004, concluiu o seu doutoramento em Física, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Actualmente trabalha no grupo de Engenharia e Técnicas Nucleares do C2TN-IST, onde se dedica à dosimetria das radiações e ao desenvolvimento de diferentes métodos dosimétricos, aplicado a diversas áreas.


Quando expressei a área pretendida para a minha Licenciatura, os meus Pais questionaram-se: “Onde é que falhámos? Uma foi para Matemática e esta quer ir para Física…”

Em 1997, quando estava a terminar a Licenciatura em Engenharia Física Tecnológica, comecei a trabalhar no então Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN), mais especificamente no Reactor Português de Investigação. A ideia básica consistia em realizar um doutoramento na área da Dosimetria de Radiações (já lá vamos), para poder vir a reforçar a equipa associada ao Reactor Português de Investigação. O tema era um pouco estranho para mim, dado que não tinha tido qualquer formação nesta área ao nível da Licenciatura. Aceitei o desafio. O início foi difícil mas com o apoio estratégico da minha orientadora consegui fazer um trabalho de que me orgulho.

A dosimetria de radiações consiste na determinação da dose que a radiação “entrega” a um material. A dose é a energia por unidade de massa do material. E para que interessa saber a dose? Pois bem, a radiação pode induzir uma série de efeitos num material – alguns benéficos, outros não – sendo que o tipo de efeitos e a sua intensidade depende da dose. A radiação pode ser utilizada para destruir tumores, esterilizar materiais e dar cor a cristais, mas também pode induzir doenças, inutilizar componentes electrónicos e degradar materiais.

A dosimetria de radiações num reactor nuclear é particularmente interessante porque existem muitos tipos de radiação, onde cada um pode induzir efeitos diferentes de outro. Muitas vezes é necessário distinguir as componentes de fotões e neutrões que coexistem no campo de radiação. Isto não é trivial porque a maioria dos equipamentos responde ao aos diversos tipos de radiação. Assim, o meu trabalho consiste em desenvolver métodos experimentais para conseguir discriminar as componentes de dose, e ainda averiguar a qualidade desses métodos através de comparação com os resultados de simulações computacionais do campo de radiação que se pretende caracterizar.

Ao longo do tempo, tenho estado envolvida em diferentes áreas de aplicação das radiações e desenvolvido diferentes métodos dosimétricos, adaptados a cada área: determinação do campo de radiação em reactores para produção de material radioactivo, irradiação de células para radiobiologia, pesquisa de matéria escura em astrofísica, identificação de componentes electrónicos resistentes à radiação, radioterapia, imagem médica, caracterização de radiações no ambiente, identificação de contaminações radioactivas, desenvolvimento de detectores de radiação, etc. etc.

O futuro do meu trabalho depende de muitos factores, alguns dos quais não posso controlar. Os investigadores são fortemente avaliados em função do financiamento que conseguem captar. As oportunidades de financiamento estão muito direccionadas para a aplicação das metodologias existentes, e considero que a redução de aposta no desenvolvimento de novas técnicas trará problemas dentro de alguns anos. Andar ao sabor das tendências leva-nos a enveredar por novas áreas, o que é fantasticamente refrescante, mas há que reconhecer que a excelência requer muito tempo. Acresce que, cumpridos 21 anos desde que iniciei a minha actividade no ITN, mantenho-me “a termo certo”, o que me recorda frequentemente as referidas inquietações dos meus Pais.

Da autoria de Ana Fernandes.




Ana Fernandes graduated in Technological Physics Engineering in 1997 from Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa. In 2004, she completed her PhD in Physics from Faculdade de Ciências, University of Lisbon. Currently, she works in the Nuclear Techniques and Engineering Group at C2TN- IST where she focuses on radiation dosimetry and on the development of different dosimetric methods, applied to several fields. 


When I first told my parents what degree I would like to pursue, they started questioning themselves: “Where did we fail? One choose Math and this one wants Physics…”

In 1997, when I was still finishing my degree in Technological Physics Engineering, I started working at what was then the Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN), more specifically, at the Portuguese Research Reactor. The idea at the time was that I would complete a PhD in the field of Radiation Dosimetry (we’ll get there), reinforcing the Portuguese Research Reactor's team. The topic was a bit unfamiliar to me since I hadn’t had any sort of training in this topic during my degree. Yet, I decided to accept the challenge. And, while in the beginning it was difficult, in the end, with the strategic support of my tutor, I managed to perform research work that I am proud of. 

Radiation Dosimetry consists in determining the dose that the radiation “delivers” to a material. Dose is defined as the energy per unit of the material’s mass. Why would we want to know the dose? Well, radiation can induce a series of effects in a material – some beneficial, some detrimental – being that the type of effects and their intensity depend on the dose. Radiation can be used to destroy tumours, sterilize materials and even give colour to crystals, but it can also induce diseases, damage electronic components and degrade materials. 

Radiation dosimetry for a nuclear reactor is particularly interesting, because there are several types of radiation and each of those can induce different effects. Quite often it is necessary to distinguish the components of photons and neutrons that coexist in the radiation field. This is not trivial as most equipments respond to several types of radiation combined and not individually. So, my work consists on developing experimental methods to distinguish the dose components, and to assess the quality of these methods through comparison with results from computational simulations of the field of radiation one wants to characterize.

Throughout the years, I have been involved in different fields of application of radiation and I have developed different dosimetric methods adapted to each one of them: determination of the radiation field in reactors, methods for production of radioactive material, irradiation of cells for radiobiology, searching for dark matter in astrophysics, identification of electronic components resistant to radiation, radiotherapy, medical imaging, characterization of radiation in the environment, identification of radioactive contaminations, development of radiation detectors, etc, etc.

The future of my work is dependent on countless factors, some of which are out of my control. Researchers are evaluated almost exclusively based on the funding they can obtain. Funding opportunities are very much directed to the application of existing methods and I find that decreasing the investment in new techniques will become a problem in the future. On one hand, going with the flow of current trends can certainly make us try challenging new fields, which is amazingly refreshing, but, on the other hand, scientific excellence takes time to achieve. On top of this, after 21 years working at this institute, I am given only term contracts, which frequently reminds me of the concerns mentioned by my parents.

Authored by Ana Fernandes

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