Venha Conhecer as Investigadoras do C2TN - Rita Melo

terça-feira, março 13, 2018


A pretexto do Dia Internacional da Mulher, que se comemora a 8 de Março, o C2TN celebra as suas mulheres cientistas que se afirmam e destacam pela excelência do seu trabalho e pelo impacto do mesmo. Ao longo deste mês publicaremos o perfil de 6 investigadoras do C2TN.Esteja atento! Deixamo-vos hoje com a nossa próxima investigadora, Rita Melo.



Rita Paiva de Melo licenciou-se em Engenharia Química, pela Universidade Nova de Lisboa, em 2003 e concluiu a sua tese de doutoramento em Química Tecnológica pela Universidade de Lisboa, em 2012. É investigadora no Grupo de Ciências Radiofarmacêuticas, do C2TN-IST, e dedica-se ao desenvolvimento de partículas virais baseadas no HIV para aplicação em teranóstica combinando métodos computacionais e experimentais para investigação desses sistemas à nanoescala.


Quando me pediram para escrever sobre o meu percurso científico pensei: “Ena, Rita, estás a ficar crescida!”. Foi assim que passaram os últimos 15 anos da minha vida: felizes e a correr!



Tudo começou em 2003. Licenciei-me em Engenharia Química e, enquanto estava a acabar o curso, aproveitei para trabalhar num grupo de I&D no departamento de Engenharia Química da FCT, UNL. Foi então que uma Professora me propôs um estágio no grupo de Tecnologias de Radiação, no ITN (hoje conhecido por C2TN). Mal sabia eu que era ali que me ia apaixonar pela ciência.



Assim comecei o meu percurso, fiz o mestrado em Gestão Ambiental, depois doutorei-me em Química Tecnológica, sempre com o foco na otimização do tratamento de águas residuais industriais. Pelo caminho envolvi-me em vários projetos internacionais que me permitiram trabalhar pelo mundo: no Brasil, na Hungria e nos EUA.  Tive muita sorte, fui parar a um grupo de pessoas incríveis que me “obrigou” a sair tantas vezes da zona de conforto e, com isso, a crescer. Fomos, juntas, resistentes e resilientes.


Com a vontade de querer ir mais além, em 2014, depois de acabar o doutoramento e após um período de 6 meses no ITQB, mudei de área. Saí da área do Ambiente e fui para a Radiofarmácia com o desafio do desenvolvimento de partículas virais como vetores de drogas e/ou radionuclídeos citotóxicos para aplicações na teranóstica do cancro. As partículas virais são “vírus vazios”, ou seja, têm a estrutura molecular que constitui o vírus e com isso pode aproveitar-se a sua imunogenicidade, mas sem o material genético e assim não são infeciosas. Além disso, a conjugação de anticorpos à superfície da partícula viral aumenta a sua especificidade para um determinado alvo, como células tumorais.



Em 2015 agarrei a valência da química computacional e é neste caminho que me perspetivo no futuro, nesta abordagem estrutural multidisciplinar, combinando métodos computacionais e experimentais para investigação destes sistemas à nanoescala, aumentando a especificidade das partículas virais para diferentes tipos de cancro. Para isso, o contacto com a parte clínica é fundamental e é nesse sentido que queremos caminhar, na investigação translacional.

É muito gratificante saber que o nosso trabalho pode, de alguma forma, contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, fazer a diferença. É nessa diferença que muitas vezes nos temos de focalizar quando somos constantemente desafiados na incerteza da nossa carreira, do nosso futuro. É ser cientista com nanopartículas e vírus vazios e células e radiações e, a partir das 18h, tirar a bata e ir buscar as filhas à escola, dar banhos, fazer jantares saudáveis, contar histórias de adormecer e tantas vezes voltas ao computador quando elas já dormem... Ser feliz na ciência é um desafio diário e acredito, sempre, que o futuro será promissor.

Da autoria de Rita Melo




Rita Paiva de Melo graduated in Chemical Engineering from Universidade Nova de Lisboa in 2003 and has received her PhD in Technological Chemistry, in 2012, from University of Lisbon. Currently, she is a researcher in the Radiopharmaceutical Sciences Group from C2TN-IST and dedicates herself to the development of HIV-based viral particles for theranostics applications, combining experimental and computational methods to investigate those systems at the nanoscale.

When I was asked to write about my scientific path, I thought, "Yay Rita, you're growing up!" That's how the last 15 years of my life have gone by: fast and happily!


It all started in 2003. I graduated in Chemical Engineering and in the meanwhile I took the opportunity to work in an R & D group in the Chemical Engineering Department of FCT, UNL. It was then that a Professor proposed me an internship in the Radiation Technologies Group, at ITN (known today as C2TN). I have never dreamt that it was there that I was going to fall in love with science.



Then, I finished a master's degree in Environmental Management, and received my PhD in Technological Chemistry, focusing on the optimization of industrial wastewater treatment. On the way I got involved in several international projects that allowed me to work around the world: in Brazil, Hungary and the USA. I was very lucky I went to a group of incredible people that forced me to leave my comfort zone very often and with that, to grow. We were together, resistent and resilient.
Aiming to go further, in 2014, after finishing my PhD and after a period of 6 months at ITQB, I left the work field of Environment and went to Radiopharmacy with the challenge of developing viral particles as vectors of cytotoxic drugs and/or radionuclides for cancer therapeutics applications. Viral particles are "empty viruses", which means that they have the molecular structure that constitutes the virus, thus keeping their immunogenicity, but without the genetic material so they are not infectious. In addition, conjugation of antibodies to the
 surface of the viral particle increases its specificity to a particular target, such as tumor cells.



 In 2015, I grabbed the chance to work in the computational chemistry field and it is on this path that I prospect myself in the future: on the multidisciplinary structural approach, combining computational and experimental methods to investigate these systems at the nanoscale and increase the specificity of the viral particles for different types of cancer. For this, being in contact with the clinical aspects of this work is fundamental and therefore that is the direction we want to take, into translational research.


It is very gratifying to know that our work can somehow contribute to improving people's quality of life, making a difference. It is in this difference that we often have to focus when we are constantly challenged in the uncertainty of our career, our future. I am a scientist working on nanoparticles and empty viruses and cells and radiations and a mother who, at the end of the day, gets her daughters from school, manages their showers, makes them healthy dinners, tells them bedtime stories, and so often goes back to the computer to work when they are already asleep... Being happy in science is a daily challenge but  I believe, always, that the future is promising.


Authored by Rita Melo


You Might Also Like

0 comentários

Subscribe