Mulheres Na Ciência

domingo, fevereiro 11, 2018



O acesso à Ciência e Educação não só é essencial como deve ser igual para todos, em todo o mundo. No entanto, a igualdade de acesso ainda não é uma realidade em todos os países, sendo óbvia a disparidade entre géneros, em particular nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (conhecidas em inglês como sendo as áreas STEM). Numa tentativa de promover a igualdade de acesso e de "chamar" as mulheres às áreas tipicamente associadas a homens, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou no final de 2015 uma resolução: o dia 11 de Fevereiro passa a ser marcado como o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência. O C2TN assinala esta data partilhando convosco o testemunho de duas mulheres de gerações diferentes que trabalham como investigadoras no C2TN, e que nos contam o que a Ciência significa para elas.

As mulheres STEM do C2TN


Vânia Martins, doutorada em Química Analítica Ambiental pela Universidade de Barcelona (Abril de 2016), trabalha como investigadora de Pós-Doutoramento no C2TN, no âmbito do projeto LIFE Index-Air que pretende desenvolver uma ferramenta de apoio à decisão para melhoria da Qualidade do Ar nas cidades europeias. 

Vânia Martins


Para mim fazer ciência é bastante desafiador e estimulante devido à minha ânsia de expandir conhecimentos e fazer descobertas. Tem sido uma experiência enriquecedora que me permite conhecer e colaborar com pessoas de sabedoria e talento.

Os desafios das mulheres que rumam para a vida científica são imensos e os incentivos são poucos, é um trabalho de muita responsabilidade e que exige grande dedicação e constante actualização e qualificação. Porém, existem recompensas por isso: a grande satisfação pessoal e enriquecimento profissional. 

Reconheço que em Portugal para existir crescimento na carreira científica existe um longo caminho a percorrer, mas acredito que com ambição e empenho tudo se consegue. Na ciência as necessidade de estudo nas diferentes áreas vão variando, obrigando-nos, por vezes, a seguir outras áreas. Claro que este fenómeno está associado a uma constante instabilidade mas, por sua vez, é uma oportunidade para expandir conhecimentos noutros domínios.

Tal como Albert Einstein disse “the whole of science is nothing more than a refinement of everyday thinking”.


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Maria de Fátima Araújo, doutorada em Química pela Universidade de Antuérpia (UIA) (Junho de 1989), trabalha como Investigadora Principal no C2TN, focada em investigação em elementos traço e isótopos e aplicações em Ciências da Terra, do Ambiente e dos Materiais.

Maria de Fátima Araújo


We need to encourage and support girls and women achieve their full potential as scientific researchers and innovators." — UN Secretary-General, António Guterres

Enquanto rapariga e depois enquanto mulher, a Ciência foi sempre um caminho importante para a minha realização e desenvolvimento pessoal, conforme refere na citação anterior o Secretário Geral das Nações Unidas.

A Ciência aconteceu na minha vida de forma muito natural. Iniciei os estudos numa época em que o acesso à educação era muito mais limitado do que hoje, situação que se agravava no caso das mulheres, dadas as muitas barreiras de vária ordem existentes. De uma forma geral, a formação académica das mulheres era sobretudo encaminhada para cursos  médios ou profissionalizantes e, nos poucos casos em que seguiam uma formação universitária, a grande maioria dedicava-se ao ensino. No que me diz respeito, tudo foi acontecendo sem planeamento,  até a própria entrada  na Universidade, no início da década de 1970. Escolhi o curso de Engenharia Química, a única especialidade da engenharia então mais comum para mulheres. A minha escolha recaiu neste curso, porque vivendo na altura em Luanda teria mais oportunidades de emprego dada a existência de uma forte indústria dos petróleos. Acabei por terminar a licenciatura em Lisboa, no Instituto Superior Técnico, tendo logo a seguir, recebido uma oferta de estágio, no então Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (LFEN – atual CTN), por parte do Prof. Peixoto Cabral, que tinha sido meu professor de Radioquímica. Aí teve início o meu percurso na Ciência. Comecei por me dedicar à aplicação de métodos analíticos nucleares em materiais culturais, uma área de investigação que estava no seu início em Portugal. Prossegui, uns anos mais tarde, com os estudos realizando o trabalho de doutoramento na Universidade de Antuérpia, na Bélgica, durante o qual me dediquei ao desenvolvimento e aplicação de métodos analíticos em estudos ambientais, um tema que começava a ter grande relevância. Terminado o doutoramento regressei a Portugal onde comecei a desenvolver linhas de investigação pluridisciplinares em Ciências do Ambiente e do Património Cultural, utilizando novas metodologias analíticas e abordando novos temas de investigação nestas áreas. Apesar da dedicação que esta atividade sempre me exigiu, nunca considerei enveredar por outro caminho.

Ao longo deste percurso, tenho vindo a assistir a grandes avanços científicos e tecnológicos e a uma enorme evolução na “quantidade” e “qualidade” da investigação científica, sentindo-me privilegiada por poder ter participado neste processo e ter dado a minha contribuição. Nem sempre é fácil fazer ciência, mas os desafios permanentes com que nos vamos deparando, os sucessos que vamos obtendo, os jovens cientistas que ajudamos a formar, são muito compensadores do investimento pessoal que fazemos nesta profissão.

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